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Ascendência

“Inspira, expira.” Diz Deus à sua nova obra, ao ser que está à frente, modelado e completo, perfeito aos olhos do Senhor. A primeira respiração, de um futuro consumo infinito de oxigênio, é feita. Não se sabe que criou-se ali uma máquina, máquina essa que posteriormente se entregaria a Mamon, ao Negro Abutre, e que trabalharia em benefício desse ser – implacável em seu suborno.

Ao homem foi dada a tarefa de cuidar dos outros, de ser altruísta e de defender seus subjugados. Sua primeira realização então é o antropocentrismo, tornando real sua natureza, revelando o ego, seu prazer em ser narcisista, supondo então ser a evolução de uma raça avançada, o centro do universo. Não restou algo mais a não ser sua ruína, figurada nos destroços da Grécia Antiga.

Surgem então as sociedades, “conjunto de pessoas com o mesmo ideal”, que na verdade nunca vigorou o pensamento dos subordinados, fazendo jus à lei da sobrevivência da natureza: o forte sobrepõe-se ao mais fraco. Criando assim princípios falhos, composto de normas que nem os próprios feitores empregam em si seus editos, dando continuidade ao insucesso de Eva, ao burlar o único preceito a ela imposto. E como marujos atraídos, enlaçados por sereias sedutoras e mortais, que devoram o coração de quem baixa a resguarda, a humanidade é engolida pela ganância, pela vaidade e pela avareza.

Com lágrimas, o planeta decreta seu manifesto, devastando o que vê pela frente, inconformado com o destino que a si fora traçado, rejeitando o capitalismo que é esfregado em sua face diariamente. Sendo visto, então, aos olhos do sentimentalismo da antropocêntrica mídia, como o explosivo monstro, sendo na verdade um indefeso filhote, fruto da tal máquina citada nos primórdios da Criação, que agora arranca bramidos de sua terra natal.

Eclodem então, das entranhas do mundo, pequenos Noés. Esses sim, evoluídos, vitoriosos por conseguirem extrair a essência de um pequeno mandamento deixado por nosso menino Jesus, que no meio de uma sociedade romana doente, escreve no coração da Terra o que pregava ela há muito tempo.

Talvez os maias estejam certos, e o mundo hoje existente esteja ao declínio do próximo ano, mas que o planeta então não deixe de ser, mas se preencha com os filhos de Noé, aqueles que não deixarão o Devorador apagar, aos prelúdios de 2013, as pegadas de uma humanidade que aprendeu com seus erros.

“O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.” Jo 15:12

- Rafael Velozo

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